
Há o ditado que diz: sub morre pela boca.
Devia ter percebido durante os insistentes pedidos para fazer a refeição que iria alimentá-lo que o ditado iria realizar-se.
Devia ter percebido o sorriso de canto de boca, a luz sádica nos olhos cada vez que ajoelhava a seus pés e implorava para realizar o meu desejo.
Devia ter observado que aquele longo silencio daquela ultima vez que a teus pés ronrava como uma gata esfomeada pelo prazer de alimentá-lo seguido de um sim, que este sim não viria assim de graça.
Mas agora apenas a dor cortante nos joelhos, o frio que entorpecia a perna e a dor lascivante na coluna me fazia ter a certeza que nunca mais nada desejaria talvez agora após horas naquela posição tão simples me tivesse enfim ensinado, sub nada deseja é apenas objeto de realização de desejos.
Tento desligar da dor de estar de joelhos há mais de três horas, e re-lembro que finalmente ele assentiu para que lhe preparasse o alimento, com apenas três condição. 1º que seria com as roupas que ele escolhesse, 2º que seria sua mesa durante a refeição e finalmente que lhe velaria o sono após o almoço. Na hora apenas pensei, perfeito. Fácil como morder água.
Sub parece esquecer que sádicos nada é fácil como morder água. Dia marcado, cardápio simples, arroz, fritas, uma salada de folhas e um peixe assado. E lá vou feliz da vida realizar meu desejo.
Adentro a cozinha e deparo com todos os ingredientes sobre a mesa, além dos ingredientes uma caixa e um recado. Vista.
Dentro da caixa um par de sapatos pretos absurdamente altos e pior, novos.
Calço os sapatos o desconforto é total, o sapato é um destes materia barato, seco, sem nenhum conforto. Não estava de meia e não tinha meias junto a caixa, e já ao calçar os pés mostrou-se desconfortável, imaginei que dentre pouco estaria com bolhas.
Não tinha na cozinha uma só cadeira, então teria de trabalhar todo.
Na primeira hora agüento na mesa e tento jogar o peso do corpo hora num pé ora no outro, a dor se desfaz na felicidade de estar ali servindo.
Até o momento que ligo o fogão, não tinha apercebido a difícil situação de estar nua e mexer em fogão.
Nisto ele entra, beijo-lhe os pés, as mãos e recebo um doce beijo na testa e um beijo na boca de tirar o fôlego, enquanto sua mão passeia pelo meu corpo nu, apertando os seios, entrando pelo meu sexo, posse sua. Contorço de tesão e desejo, ele sorri, manda que tenha calma.
Falo com voz mansa da dificuldade em lidar com o fogo e estar nua, ele sorri e mostra um avental, isto é faltava algo, não tinha aquele pedaço de pano nenhuma tira que pudesse ser atado ao pescoço ou amarrado a cintura.
Diante de meu olhar de indagação ele mostra uma caixa cheia de agulhas, engulo em seco, respiro fundo enquanto observo os preparativos.
E com agulhas e simetria o pano que servira de avental começa a ser literalmente colado em meu corpo. Tenho medo de agulhas, tenho pavor de agulhas, e foram muitas começando pelos seios, descendo pela barriga, pelas coxas, todas quase que justapostas, muitas...
Um sorriso lindo desponta naquela boca que sempre tenho vontade de sentir, de lamber, de tocar. Fico imaginando como andar sem fazer um estrago naquelas agulhas nas coxas.
Movimentos suaves, passos miúdos e eis que escuto o barulho do chicote cortar o ar, agora é preciso tomar também cuidado para que as pontas do chicote não peguem nas agulhas. Mais cuidados, mais atenção, passos mais cálculos.
Conversa tranqüila, aos pouco cada alimento é carinhosa vai sendo preparado, a mesa vai se enchendo de cores e sabores.
As costas marcadas pelo chicote, os pés doem, sinto bolhas explodirem nos calcanhares, no peito do pé, as agulhas doem a cada passada, quando finalmente termino o almoço ele remove as agulhas tira o avental, faço-lhe uma bandeja e dirijo a sala, me posto de quatro junto a uma cadeira e espero que ele coloque sobre minhas costas a bandeja.
Cada garfada e sentida pelos ossos da coluna, os joelhos doem, mas há um prazer maior em servir, em ser usada.
Finalmente sinto a bandeja ser removida, feliz olho em teus olhos e novamente não percebo o brilho sádico em teus olhos.
É-me permitido tirar os sapatos, meus pés estão quase em carne viva, tudo que desejo é uma bacia com água morna e sal. Ele estrala os dedos e indica que devo ajoelhar ao lado de um a poltrona, beija-me a boca, diz estar por deveras saciado com a comida deliciosa e que ira tirar uma breve soneca, bolina-me o corpo beija-me de nova a boca ajeita-se na poltrona e fecha os olhos, isto foi há mais de três horas atrás.